Assistência social
Prontuário SUAS é obrigatório? O que mudou em 2025
Resposta curta: o registro do acompanhamento das famílias nos CRAS e CREAS sempre foi exigido. Em 2025, duas normas trataram do Prontuário SUAS: a Resolução CIT nº 29/2025, que definiu diretrizes do prontuário eletrônico (registro preferencialmente em meio eletrônico, guarda na unidade pública, sigilo e LGPD), e a Resolução CNAS/MDS nº 220, de 25 de novembro de 2025, sobre o sistema de registro eletrônico. Na prática, a secretaria deve registrar o trabalho social em prontuário. Confira sempre o texto oficial e a orientação da gestão estadual.
O que é o Prontuário SUAS
É o instrumento onde a equipe técnica do CRAS e do CREAS registra o trabalho social com cada família ou pessoa acompanhada: identificação e endereço, forma de acesso ao serviço, motivo do primeiro atendimento, condições de vida, vulnerabilidades e violações de direitos, benefícios recebidos, encaminhamentos e as anotações do acompanhamento.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) disponibiliza um modelo impresso e o Prontuário Eletrônico do SUAS, que ganhou nova versão em 2025.
Prontuário não é RMA
| RMA | Prontuário SUAS | |
|---|---|---|
| O que registra | Quantos atendimentos e acompanhamentos houve no mês | Quem é cada família e o que foi feito com ela |
| Tipo de dado | Números (quantitativo) | Histórico de cada família (qualitativo) |
| Quando | Todo mês | A cada atendimento |
| Base | Resolução CIT nº 4/2011, alterada pela nº 20/2013; obrigatório desde 2012 | Resoluções CIT nº 29/2025 e CNAS/MDS nº 220/2025 |
Um não substitui o outro: o RMA continua sendo enviado todo mês.
O que mudou em 2025
Até 2025, orientações técnicas estaduais diziam que o Prontuário SUAS não era obrigatório, mas que isso não dispensava o registro dos atendimentos do PAIF e do PAEFI, previsto na Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais.
Em 2025:
- A Resolução CIT nº 29/2025, publicada em outubro, definiu diretrizes do Prontuário Eletrônico do SUAS. Segundo a Confederação Nacional de Municípios, ela determina que as informações do trabalho social sejam registradas em prontuário, preferencialmente em meio eletrônico; que a guarda fique com a unidade pública e a equipe de referência; que se respeitem o sigilo profissional e a LGPD, por serem dados pessoais sensíveis; e proíbe usar os dados para outros fins.
- A Resolução CNAS/MDS nº 220, de 25 de novembro de 2025, trata das diretrizes do sistema de registro eletrônico do SUAS. Empresas do setor afirmam que ela torna obrigatório o uso do Prontuário SUAS como instrumento de registro, no sistema do MDS ou em outro sistema.
Antes de qualquer decisão, leia o texto oficial das resoluções e fale com a vigilância socioassistencial do seu estado: prazos e detalhes de implantação podem variar.
Quem pode ler e escrever no prontuário
Segundo orientação técnica do MDS reproduzida pelos estados, só a equipe técnica de nível superior do CRAS ou do CREAS que faz o acompanhamento da família lê e escreve no prontuário. Os demais trabalhadores da unidade não leem nem anotam, mas têm o mesmo dever de sigilo. A família pode pedir, por escrito, uma cópia do seu prontuário. A guarda é responsabilidade da unidade.
Papel ou sistema?
O prontuário em papel funciona, mas tem riscos conhecidos: ficha perdida ou molhada, letra ilegível, armário sem controle de quem abriu, e nenhum número para relatório. Um sistema bem feito resolve isso com:
- acesso por perfil (recepção vê uma coisa, técnico vê outra);
- registro de quem acessou e alterou cada informação;
- cópia de segurança e dados guardados em servidor no Brasil;
- relatórios do município sem precisar contar ficha por ficha.
Onde entra o sistema da ADG
A ADG desenvolve um sistema para secretarias de assistência social, CRAS e CREAS, em uso na Secretaria Municipal de Assistência Social de Abaetetuba/PA desde julho de 2026. Ele cuida da recepção (senha, fila e chamada na TV), do cadastro a partir da ficha do CadÚnico e dos relatórios do município, com acesso por perfil e registro de cada ação.
Para ser claro: ele não substitui o Prontuário Eletrônico do MDS nem envia dados automaticamente para o Prontuário SUAS, o CadÚnico ou o RMA. Funciona ao lado deles.
Perguntas frequentes
O Prontuário SUAS substitui o RMA?
Não. O RMA registra quantos atendimentos houve no mês e continua sendo enviado. O prontuário registra o histórico de cada família.
O município pode usar outro sistema além do Prontuário Eletrônico do MDS?
Empresas do setor relatam que sim, desde que o registro siga as diretrizes do Prontuário SUAS. Confirme com a vigilância socioassistencial do seu estado.
Quem pode escrever no prontuário?
A equipe técnica de nível superior do CRAS ou do CREAS que acompanha a família, segundo a orientação técnica do MDS.
O sistema da ADG faz o Prontuário SUAS?
Não. Ele organiza recepção, cadastro e relatórios do município e funciona ao lado do Prontuário Eletrônico do MDS, sem envio automático de dados.
Fontes
- CNM — Publicada resolução que define diretrizes do Prontuário Eletrônico do Suas (Resolução CIT nº 29/2025)
- Blog do CNAS — Resoluções de 2025 (Resolução CNAS/MDS nº 220/2025)
- MDS — Prontuário Eletrônico do SUAS
- MDS — Manual de Instruções do Prontuário Eletrônico Simplificado (2025)
- SEDS/PR — Orientação Técnica nº 03: Prontuário do SUAS e a relação com o RMA (2015)
- GESUAS — Prontuário SUAS: diferenças entre a versão do MDS e a da GESUAS